sábado, 3 de abril de 2010

Na vida...

Eu sou aquela criança que se balança sozinha enquanto vê as outras a brincar, correr e sorrir;
Eu sou a pessoa que fecha as cortinas e apaga as luzes depois que todos foram embora;
Eu sou a pessoa desconhecida que passou por você e lhe desejou bom dia;
Eu sou aquele que limpa a sujeira que os outros fazem;
Eu sou aquele que passa na rua e vê o que os outros não veem;
Eu sou a pessoa que chora quando está triste e quando me perguntam o que aconteceu respondo apenas que foi um cisco;
Eu sou quem se emociona ao ouvir músicas sem sentido ou em línguas que não entendo;
Eu sou aquele que sabe que não sabe muita coisa;
Eu sou a lágrima nos olhos de quem me ama;
Eu sou o som do: eu te amo!
Eu sou o choro na madrugada;
Eu sou o nada;
Eu sou o tudo;
Eu sou ninguém e todo mundo;
Eu não sei quem sou;
Eu não sei o que vou ser;
Sei que quero ser aquele que a espera numa estação de trem ou numa rodoviária;
Sei que quero que cada lágrima de tristeza tua e minha se transforme em lágrima de alegria;
Sei que quero ser o último a te ve ver partir;
E sei que quero ser o primeiro a te ver voltar;
Sei que quando voltares não serás mais a mesma e nem eu...
Sei que poderás já não gostar mais de mim;
Mas sei que lá dentro haverá vivo o que sentes agora;
Sei pouca coisa ou coisa nenhuma;
Sei de tudo e de nada;
Sei que agora tudo é confuso e triste;
Sei que o tempo cura muita coisa;
Sei que o tempo pode matar;
Sei que o que escrevo pode ser o errado;
Mas sei que escrevê-lo é o certo;
Sei que sou insignificante neste mundo enorme;
Mas sei que fui significantemente grande na vida de alguém;
Não sei o real propósito da vida;
Mas tive um propósito ao amar;
Sou um humano fraco...
Sou um humano apenas...
Mas fui a força e a multidão de alguém;
E por mais que não deveste escrever o que escrevo agora;
Eu o fiz;
Se fará bem ou mal não o sei;
Só sei que nunca me lamentarei por não o tê-lo feito....

Apenas Jales

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